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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Embaixador da Espanha discute a possibilidade de atrair mais investimentos para o Nordeste

Crises são oportunidades. De ajustes, aprendizado, adaptações. São, sobretudo, chances de crescimento e melhoria, como avalia o embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara Hermoso. O avanço das políticas de imigração europeias e a aquisição de empresas financeiramente enfraquecidas são, para o diplomata, exemplos de frutos colhidos a partir da crise de refugiados na Europa e da crise econônima no Brasil, respectivamente. Em passagem por Pernambuco, ele debateu esses e outros temas em reuniões com o governador Paulo Câmara e com secretários ligados às pastas de Agricultura e Cultura do estado.

Encontros voltados à gestão de recursos hídricos, formação de gestores culturais e mostras voltadas ao cinema e às artes plásticas estão na lista de eventos previstos para o próximo ano, já em fase de planejamento. No fim deste mês, Hermoso se reúne novamente com Câmara, em São Paulo, onde empresários espanhóis serão apresentados às condições de infraestrutura de Pernambuco, a fim de atrair mais investimentos ao Nordeste do Brasil – o país, com cerca de 120 mil espanhóis formalmente registrados em consulados, é o principal destino de investimentos da Espanha na América Latina e o segundo no mundo.

O senhor esteve em audiência com o governador Paulo Câmara. Quais são, no momento, os interesses da Espanha em relação a Pernambuco? 
Sim. Fui recebido em audiência pelo governador Paulo Câmara, o que foi, para mim, uma grande honra. Já estive com o governador anterior Eduardo Campos. Mas tinha muito interesse em conhecer Câmara. Falamos sobre muitas coisas, visto que as possibilidades de parceria e colaboração entre a Espanha e o estado de Pernambuco são muito amplas. Falamos, primeiro, sobre o que já está sendo feito. Naturalmente, é muito importante a presença do Instituto Cervantes aqui no Recife. É um instituto rotativo, que tem uma atividade tradicional no ensino do idioma espanhol, mas também uma intensa atividade cultural. Falamos também sobre o que está sendo feito em âmbito econômico. Temos instaladas aqui algumas empresas espanholas, como a Pamesa, na linha de materiais de construção; a Celite, dedicada a material sanitário e de banho; a Iberdrola, no âmbito de eletricidade. No futuro, gostaríamos de promover ainda mais a presença econômica da Espanha no estado de Pernambuco. Por isso, combinei com o governador Paulo Câmara um encontro com empresários representantes de instituições espanholas. Será em São Paulo, onde a maioria das empresas espanholas tem sede, e o governador já estaria em São Paulo no fim deste mês. Então aproveitamos. A ideia é que Câmara apresente o estado no âmbito de infraestrutura, de estradas, de portos, especialmente o Porto de Suape. O intuito é criar oportunidades de atrair a presença econômica da Espanha para Pernambuco.

O senhor também esteve reunido com o secretário de Agricultura. Há algum projeto previsto para essa área? 
Sim. O secretário Nilton Mota esteve comigo e falamos sobre um projeto muito interessante, que é um grande encontro técnico-empresarial sobre gestão de recursos hídricos, gestão da água. Gostaríamos de promover esse momento no Recife, provavelmente no mês de abril do próximo ano, com presença de representantes do setor privado, tanto da Espanha quanto de Pernambuco. E, se possível, ter a presença de representantes de outros estados do Nordeste do Brasil. A ideia é apresentar a experiência espanhola na gestão de recursos hídricos em situação de grande seca. Isso porque a Espanha é um país com pluviosidade muito baixa, ainda menor do que o semiárido nordestino. Apesar dessa dificuldade, nós somos capazes de, primeiramente, atender às necessidades da população e também acolher 67 milhões de turistas por ano, que nos visitam na época mais seca, o verão. Também promovemos, nas áreas mais secas do país, uma grande produção hortifrutícola, que abastece todos os grandes mercados da Europa. Mercados da Alemanha, da Holanda, da Suíça… todos muito exigentes. Desenvolvemos a tecnologia de produção hortifrutícola com aproveitamento máximo dos nossos recursos hídricos em sistema de estufa, o que poderia ser interessante para algumas áreas do interior dos estados do Nordeste.

No âmbito cultural, o Cervantes tem a tradição de promover atividades relevantes em Pernambuco. Em linhas gerais, a partir das reuniões com representantes do governo local, o que a Espanha planeja para essa área, no Recife? 
Tivemos um encontro muito interessante com Silvana Meireles, secretária executiva da Secretaria de Cultura do estado. Falamos sobre muitas possibilidades de colaboração entre o Instituto Cervantes e a secretaria, no âmbito do cinema, mas também das exposições. No próximo ano, provavelmente, a Mostra de Cinema Espanhol será realizada no Cinema São Luiz. Neste ano, faz 400 anos da publicação da segunda parte de Dom Quixote, então estamos planejando algumas apresentações em torno do tema. A Secretaria de Cultura também está interessada no intercâmbio na área de gestão cultural, da formação de gestores culturais. Pretendemos compartilhar nossa experiência na área de gestão de museus e instituições de arte públicas. No próximo ano, devemos fazer um Fórum da Sociedade Civil Espanha-Brasil, e gostaríamos que, nesse fórum, houvesse uma parte dedicada ao intercâmbio cultural entre os dois países. Afinal, a cultura é uma das principais vias de aproximação.

A crise que o Brasil está enfrentando tem afetado, de algum modo, as empresas espanholas que atuam no país? Como os espanhóis veem esse momento pelo qual o Brasil está passando? 
Como falei, as empresas espanholas estão aqui com grandes investimentos. Temos acumulados investimentos por volta de 65 bilhões de euros. São quase 270 bilhões de reais. Esse montante gera 200 mil empregos diretos e outros 200 mil indiretos. No ano passado, a Espanha foi o principal investidor estrangeiro no país, com algumas operações importantes, como a aquisição da GVT pela companhia telefônica Vivo. E neste ano, apesar da crise, as companhias espanholas consideram manter seus investimentos, pois permanecerão aqui por muito tempo. A crise abre oportunidades de compra de companhias locais, o que nos interessa. Algumas empresas espanholas detinham participação minoritária em empresas do Brasil e passaram a ter participação majoritária. Acreditamos que se trata de uma crise temporária e o Brasil é um dos principais parceiros econômicos da Espanha.

Como a Espanha está enfrentando o problema dos refugiados?
 
A questão dos refugiados é, hoje, o maior desafio da União Europeia. E é um desafio enorme, porque, naturalmente, não podemos deixar abandonadas as dezenas de milhares de pessoas que estão fugindo da violência terrível naquela parte do mundo. Mas também, naturalmente, as possibilidades de acolhimento da União são limitadas. As crises são desafios, mas também oportunidades. Com essa crise dos refugiados, avançamos muito na política europeia de imigração. Finalmente, iniciamos uma política de imigração mais coordenada e passamos a compartilhar o número de refugiados que cada país vai acolher.

Como o senhor vê a decisão da Catalunha de se separar da Espanha?
 
A questão da Catalunha é que o seu presidente, junto com outros partidos, decidiu quebrar completamente a legislação e a Constituição espanhola. É uma situação que, para qualquer país do mundo, é inaceitável. É como se o governo do Brasil, por exemplo, aceitasse que o governo de São Paulo dissesse que, a partir de agora, não vai mais respeitar a Constituição do Brasil e vai se considerar independente. A Constituição do Brasil não permitiria essa separação territorial, política. O nosso governo, naturalmente, também não pode aceitar a quebra da legitimidade e da Constituição. Vamos apresentar recursos no Tribunal Constitucional, que certamente vai atestar por unanimidade que foi ilegal o que fizeram (na Catalunha). Então, serão tomadas as medidas legais para impedir que essa situação continue. Claro que a responsabilidade do que está acontecendo é do governo da Catalunha, que deriva sua legitimidade da Constituição espanhola, e decidiu quebrá-la. Isso é absolutamente inaceitável.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Cristovam confirma pré-candidatura à Presidência

Cristovam iniciou périplo pelo país para emplacar candidatura. Em 2006, ele teve 2,6 milhões de votos

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) anunciou que vai disputar com o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes a indicação do partido para a sucessão da presidenta Dilma Rousseff, em 2018. A informação foi confirmada pelo próprio pedetista ao Congresso em Foco, em entrevista exclusiva concedida em seu gabinete. Segundo o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o partido terá dois ou três nomes no páreo da corrida presidencial.

Definindo-se como um político “de esquerda” por não estar satisfeito com o “estado de coisas” do país, Cristovam já está em ritmo de pré-campanha pelo país, a cerca de três anos do pleito majoritário. Em 2015, o senador já visitou diversas capitais do país, onde suou a camisa em discursos e debates com correligionários pedetistas. No último fim de semana, segundo sua assessoria, percorreu mais de mil quilômetros e foi a seis cidades do Rio Grande do Sul, berço do trabalhismo, onde dispõe de apoio significativo do PDT local.

Contrário à filiação dos irmãos Ciro e Cid Gomes, também ex-ministro e ex-governador do Ceará, Cristovam diz já estar preparado para o estilo explosivo de ambos – para exemplificar, nas respectivas solenidades de filiação, Cid chamou o vice-presidente da República, Michel Temer, de “chefe de quadrilha”, enquanto Ciro classificou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de “maior vagabundo de todos”. Mas o senador deve se preocupar especialmente com Ciro, com quem terá de disputar a preferência do PDT.

Para Cristovam, a filiação dos irmãos Gomes ao PDT é uma prova da “submissão” de Lupi ao ex-presidente Lula e uma maneira de promover a reaproximação entre a sigla, uma das rebeldes da base aliado, e o PT. Questionado sobre como lidará com o gênio do ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula, o senador foi fiel ao próprio estilo. “Eu preferia que você perguntasse a ele como é que, com o espírito aguerrido dele, vai enfrentar um diplomático. Eu não vou mudar meu estilo. Não consigo, aliás, mudar meu estilo. E não vejo por que mudar. Eu vou continuar nesse estilo de composição, de compromisso, de diálogo. E falando manso, como dizem”, declarou.

Cortejado por partidos como PPS, que lhe ofereceu legenda para disputar o cargo que pretender (Cristovam é recorrentemente cogitado para o Governo do Distrito Federal), e a Rede Sustentabilidade, o senador faz da federalização da educação e do trabalhismo suas principais bandeiras na corrida presidencial. Ex-governador do Distrito Federal pelo PT entre 1995 e 1999, quando criou o Bolsa-Escola, Cristovam diz que a presidenta Dilma Rousseff repete o mesmo erro do ex-presidente Fernando Collor, cassado em 1992, ao não apostar no diálogo para governar.

“O PT só quer ouvir quem é da patota”, lamentou o senador, membro do grupo suprapartidário de senadores que, no começo do ano, foram levar sugestões para que Dilma conseguisse retomar a governabilidade. Decepcionado com a recepção, ele diz que a petista não é propensa ao diálogo e prefere negociar cargos para manter as relações com os partidos da base aliada – a entrega do Ministério das Comunicações ao deputado e colega de partido André Figueiredo (PDT-CE), nas palavras do próprio Cristovam, foi mera “negociata”.

Impeachment


Na condição de independente em relação à base aliada, Cristovam não raro assume o papel de oposição ao governo no Senado. No entanto, ele diz não ser favorável ao impeachment de Dilma sem provas de que ela cometeu crime que justifique a medida extrema.

“Eu vou ficar muito constrangido se descobrir-se que a Dilma tem crime e eu ter que votar pelo impeachment e ficar na História como um parlamentar que votou para derrubar uma presidente eleita. Se ela tiver envolvida, comprovadamente, em crime. Se ela não tiver, eu não votarei – mas, aí, vai ser muito ruim mais três anos de governo Dilma”, vislumbrou.

Segundo Cristovam, a crise em que o PT mergulhou está relacionada à “acomodação” de suas lideranças. “Quando eu saí do PT, em 2005, quando estava já começando o mensalão, eu disse: ‘Eu saio porque o PT perdeu o vigor transformador’ – porque o compromisso ético perdido é de alguns, não é do partido. Até hoje eu ainda sinto que a militância petista, a nação petista, é um pessoal correto, decente. O Estado petista é que se corrompeu muito”, opinou.

À parte o passado petista, Cristovam já havia deixado claro, em setembro, em sua conta no Twitter, a pretensão de disputar a Presidência contra o principal nome do PT, caso a possibilidade se confirme. “Ciro Gomes disse não querer enfrentar o Lula em 2018, pelo PDT, e eu gostaria de enfrentar o Ciro [junto à militância] para ser o candidato do PDT”, escreveu o senador. Em 2006, Cristovam concorreu ao Palácio do Planalto. Ficou na quarta colocação, com 2,6 milhões de votos (2,64% dos votos válidos). Durante a campanha, manteve a educação, sua principal bandeira na política, como grande mote.

Confira a íntegra da entrevista:


Congresso em Foco – O senhor está pronto para disputar a Presidência da República?

Cristovam Buarque – Estou pronto para disputar por uma razão muito simples: nenhum político tem o direito, neste momento, de dizer que fica de fora. Nós temos duas crises muito profundas: uma crise circunstancial, conjuntural, momentânea, que é a inflação, o déficit fiscal, a desarrumação que o país vive, que é a recessão; e temos uma outra, que é a arrumar a casa do Brasil e construir um Brasil diferente. Esse Brasil diferente, a meu ver, terá que seguir, por exemplo… Em vez de apenas ter transferências de renda da Bolsa Família, ter programas de emancipação dos pobres; trabalhar projetos que façam com que, enquanto uma família precisar de bolsa, vai ter, mas só vamos comemorar quando nenhuma precisar. Segundo: a economia tem que dar um salto não apenas para crescer, mas para mudar de cara. Não apenas para aumentar o PIB [Produto Interno Bruto], mas ter um PIB diferente. Um PIB que não seja baseado no agronegócio, na indústria metalomecânica, mas baseado nas indústrias de alta tecnologia, que é o que realmente gera renda para um país. Terceiro: um país onde a democracia funcione. Isso quer dizer partidos organizados, com base ideológica, com regras éticas para todos os seus militantes, para todos os seus dirigentes, sobretudo. E que, também, este país seja capaz de ter uma estabilidade monetária, que nós estamos perdendo. Essas quatro pilastras têm que, obviamente, trazer uma porção de outras preocupações, como a violência, que está por aí; como a Previdência, que está quebrada; como o fato de sermos um país que vive mais para pagar as dívidas do passado – inclusive com os pobres, com os velhos – do que para pagar o novo, que são as crianças, que é a infraestrutura. E, além disso, o que eu acho que eu traria de diferente é que tudo isso, para mim, virá, sobretudo, da educação. A educação não é a única preocupação que o país deve ter, de maneira alguma. Até porque ela não funciona se não tivermos uma economia sólida, um estado eficiente. Mas o motor, o vetor, o que transforma um país é a educação. Não é mais a terra, como no começo da colonização, em que bastava a terra fértil em que a gente jogava a semente e, ali, em se plantando tudo dava. Não. Agora, em se plantando não dá tudo, porque precisa de tecnologia, de ciência, de formação. Precisa trabalhar os neurônios, e não a terra.

Foi o grande erro do Lula estimular o consumo, a liberação de crédito, e não dar tanta atenção assim à produção de conhecimento, ao estímulo à ciência e à tecnologia?


Não tenho a menor dúvida de que foi um dos grandes erros dele, e eu o critiquei na época. Eu dizia o tempo todo. Quantas vezes fiz discursos dizendo que o país não vai para frente se não for capaz de poupar – e um país não poupa se consome quase tudo. É claro que, se não consome, a economia não se desenvolve no mercado de bens de consumo, mas pode se desenvolver no mercado de bens de capital. Tem gente que diz: “Mas se não se compra, como é que a gente vai ter crescimento”? É fazer produtos chamados “ferramentas”, fazer infraestrutura – isso também dinamiza a economia. Não é só sapato que dinamiza a economia. O Estado também demanda. O capitalista demanda quando ele compra uma camisa ou ele demanda quando compra um computador para sua empresa. O primeiro vem do consumo e o outro vem da poupança. Mas eu acho que o maior erro do Lula foi não ter aproveitado os seus oito anos [de mandato presidencial], com sua liderança, com sua competência, para arrumar bem a educação brasileira, para dar um salto – como eu tentei. Tentei como ministro, tentei quando saí do Ministério da Educação, em uma carta para ele em que eu listava as dez medidas que a gente precisava fazer para dar um salto educacional. Nunca nem recebi uma confirmação de recebimento. O maior erro de Lula foi não ter se concentrado na erradicação do analfabetismo, como um exemplo do Brasil, que a gente poderia ter feito no governo dele. E dar um salto pela federalização da educação, que não dava para fazer, no Brasil inteiro, nos oito anos dele, mas dava para fazer em boa parte do Brasil – e, aí, ninguém parava mais.

Voltando ao tema da corrida presidencial. O ex-ministro Ciro Gomes, com quem o senhor deve disputar a indicação do PDT para a corrida presidencial, é conhecido pelo estilo combativo. O senhor, por outro lado, tem um estilo mais sereno, diplomático. Como o senhor pretende se sobrepor a Ciro?
Eu preferia que você perguntasse a ele como é que, com o espírito aguerrido dele, vai enfrentar um diplomático. Eu não vou mudar meu estilo. Não consigo, aliás, mudar meu estilo. E não vejo por que mudar. Eu vou continuar nesse estilo de composição, de compromisso, de diálogo. E falando manso, como dizem.

Recentemente, o irmão dele, o ex-governador do Ceará Cid Gomes, foi à tribuna da Câmara chamar Eduardo Cunha de achacador…

Eu não vou xingar ninguém. Nunca xinguei, não vou xingar.

O senhor foi militante da Ação Popular, grupo ligado à igreja progressista de esquerda. Hoje, muitos dizem que o modelo de governo esquerdista está exaurido pelos governos Lula e Dilma. O senhor concorda com isso?
Não. Acho que se esgotou um tipo de esquerda. Mas vamos ver o que quer dizer “esquerda”. Para mim, esquerda quer dizer aquele conjunto de pessoas que, primeiro, não estão satisfeitas com o estado de coisas. Segundo, que acham que essas coisas não mudarão sozinhas. Isso para mim é esquerda. Porque você pega um conservador que pode ser até progressista, mas ele acha que o mercado resolve. E outros não querem nem mudar mais nada; querem manter o que está aí. Eu acho que o que está aí é muito ruim. Nós estamos numa situação vergonhosa socialmente, economicamente, e precisamos construir um país novo. Esse é o primeiro ponto que define se você é de direita ou de esquerda. O de direita está contente com o que está aí – eu não estou. Segundo, tem alguns direitistas que não estão contentes, mas acham que o mercado resolve. Eu acho que não. Eu acho que vão ser necessárias medidas concretas. Então, aí, já sou de esquerda e discordo disso de que a esquerda morreu. Além disso, tenho uma característica na esquerda, minha, diferente. Duas coisas. Por exemplo: eu sou conservador em matéria fiscal. Eu acho que é anti-esquerda tolerar a inflação. Para mim, a estabilidade monetária é uma questão de bem-estar do povo, de bem-estar das regras a respeito de como a sociedade funciona nas suas trocas. Eu sou conservador em matéria fiscal.

Então está de acordo com o ajuste fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy?

Até um certo ponto atrás eu estava, por causa das medidas. Eu não estou mais porque ele não tem confiança, então não adianta mais. Ele não passa essa confiança. Minha discordância com o Levy, hoje, é menos pelas medidas dele – embora no começo eu tenha criticado o tamanho do superávit a que ele se propunha. Ia ser muito doloroso. Poderia ser mais lento. Eu defendo que se toque na dívida, renegociando, de alguma forma, no que se refere ao pagamento da dívida. E a outra coisa que eu defendo é que o caminho é a educação. A esquerda, há até algum tempo atrás, ela dizia: “Vamos fazer o socialismo para educar”. A minha é o contrário: “Vamos educar para, depois, ver como será a utopia”. E aí essas crianças de hoje vão inventar até um outro nome [para a utopia], que não seja socialismo. Vão até dizer que é o próprio capitalismo. Eles é que vão criar. Então, essas são as diferenças que eu vejo. Eu não ponho o lugar da revolução, da mudança, do progresso, na economia. A economia é base, e não propósito. O propósito, para mim, vem da educação e é a educação. E, finalmente, uma coisa que a esquerda antes não colocava, que é o meio ambiente, o equilíbrio ecológico. Eu sou defensor do equilíbrio ecológico desde muito jovem. Então, nisso eu me considero de uma esquerda diferente, mas me considero de esquerda.

Mesmo na condição de ministro da Educação do ex-presidente Lula o senhor poderia se caracterizar como um político de esquerda?


Claro. Tanto que, naquela época – dezembro do primeiro ano [de mandato presidencial, em 2003] – eu fiz um documento para o [ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, Luiz] Gushiken, aproveitando o feriado de Natal. Entreguei a ele nos primeiros dias de janeiro – tem gente que diz que foi por isso que eu fui derrubado –, em que eu mostrava para ele que o governo estava ficando acomodado. Eu não estava usando a palavra conservador. Acomodado. E ficou. E foi, eu acho, a grande causa de tudo isso que aconteceu no PT: o acomodamento. Eu acho que a volúpia de dinheiro que alguns do PT passaram a ter veio depois do acomodamento. Quando eu saí do PT, em 2005, quando estava já começando o mensalão, eu disse: “Eu saio porque o PT perdeu o vigor transformador” – porque o compromisso ético perdido é de alguns, não é do partido. Até hoje eu ainda sinto que a militância petista, a nação petista, é um pessoal correto, descente. O Estado petista é que se corrompeu muito. Naquela época em que eu saí, o Estado petista ainda era honesto. Alguns do Estado, alguns “generais”, é que já estavam se manifestando. Então, acho que o problema do PT foi perder o vigor transformador, e eu disse isso em uma carta ao Gushiken, entregue a ele no começo de janeiro de 2004. Alguns dias depois eu fui demitido.

O senhor considera a ideia deixar o PDT em direção a um partido como a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, ou o PPS, com o qual o senhor já tem conversado?
Quando eu saí do PT, eu tinha uma atração muito forte para onde ia, o PDT. Eu fui brizolista – eu não votei em Lula em 1989, a não ser no segundo turno. Eu era brizolista, trabalhava com [o fundador do PDT, Leonel] o Brizola. Agora, mesmo descontente com o PDT – desde 2007, quando o [Carlos] Lupi foi ser ministro [do Trabalho] e eu fui contra, achei que foi um erro, e continuo achando –, acho que o PDT hoje seria uma alternativa, sem dúvida alguma, no Brasil se não tivesse entrado no governo. Se tivesse construído um projeto com base naquilo que se chamava e se chama, hoje, de trabalhismo – que, antigamente, era uma novidade que não era aceita. Ora, imagine Getúlio [Vargas, o “pai do trabalhismo”] dizer que não era nem capitalismo nem socialismo o futuro, mas sim o capitalismo sob a ótica e a ética dos trabalhadores; [o ex-presidente da República] João Goulart falar em reformas – hoje todo mundo fala e reconhece que o socialismo não é alternativa. E que o capitalismo também não. E, terceiro, educação. Quando o Brizola falava em educação, ainda nos anos 50, era coisa de uma pessoa um tanto fora da realidade, porque naquela época o importante para o país era estrada, era porto, aeroporto, hidrelétrica, capital, máquina, como Juscelino [Kubitschek, também ex-presidente] defendia. E ia ele [Brizola] falar em escola. Hoje, a gente sabe que o verdadeiro fator de produção, vetor do progresso, não é mais – embora o seja, também – estrada, portos, aeroportos. É educação. Até porque sem educação, que faça os engenheiros, a gente não vai ter portos ou vai ter represas se rompendo, prédios caindo, inovação zero. Então, essas três coisas estão aí à disposição, e nós perdemos, porque mergulhamos no governo do PT. Como dizia Pedro Taques [ex-senador pelo PDT e atual governador do Mato Grosso pelo PSDB]: “Viramos um puxadinho do PT”. Estamos justificando este governo, corrupção. Então, nós perdemos a possibilidade de sermos, hoje, uma alternativa forte. Mas, graças a esse vazio que está aí, acho que o PDT pode ser alternativa séria.

O PT está em vias de extinção?

Eu acho que o PT não vai desaparecer. O PT tem uma história, uma militância. Vai entrar, ao meu ver, em um período de diminuição de influência, mas vai voltar. E vai voltar melhor. Quando eu votei no Aécio [Neves, senador pelo PSDB de Minas Gerais], não era para ser governo com o Aécio; eu ia ser oposição ao Aécio. Mas seria uma oposição com alternativa, retomando as utopias. Eu me lembro que, em uma época, eu disse: “É difícil sonhar dormindo em camas de palácios”. Era preciso sair dos palácios para voltar a sonhar. O PT, ao meu ver, pode voltar a sonhar. Não acredito que esse vício do poder pelo poder, essa voracidade por poder e dinheiro – e a gente vê o que muitos têm – continuará [com o PT eventualmente] na oposição. Eu creio que, em vez de já pensar em como voltar para ser igual, eles vão pensar em como ser diferentes.

O “Fla x Flu” político, que é o apelido dado à polarização PT x PSDB, ultrapassou ao limite do razoável?

Esse Fla x Flu está nos destruindo. Já houve Fla x Flu antes no Brasil, mas eram melhorzinhos. Por exemplo, comunistas e capitalistas. Era um Fla x Flu bem melhor do que esse, porque era carregado de ideologia, de propostas alternativas – se um falhar, a gente tem outro [sistema]. Hoje, é um Fla x Flu sem propostas. Não tem grandes alternativas, propostas por um lado ou por outro. Esse Fla x Flu tem que acabar

O senhor já declarou ser contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff sem provas de que ela tenha cometido crime que justifique a medida extrema. Mas que ela tem de encontrar uma saída institucional para sair da estagnação. Como isso seria possível?
Igualzinho ao que fez Itamar [Franco, ex-presidente da República]. O [também ex-presidente Fernando] Collor tentou e não conseguiu; já era tarde quando ele tentou. Ele mesmo diz isso. O Collor conta umas histórias interessantes. Ele, por exemplo, diz que procurou [o ex-presidente do PMDB Orestes] Quércia, em um certo momento, para dizer: “Como é que eu faço para governar com todos”? Aliás, ele tentou, e fez um bom ministério no final. E o Quércia disse: “Presidente, se o senhor tivesse vindo aqui algumas semanas antes dava. Agora, não dá mais. Eu tentei com a Dilma nessas semanas anteriores. Para ela ser a Itamar dela própria. Isso implicaria ela reconhecer os erros e pedir desculpas; dizer que não é mais do PT, mas do “Partido do Brasil”; lembrar que tem três anos pela frente, que foi eleita; e queira governar esses três anos para ficar bem na História e, para isso, precisa do apoio de todos; e chamar a oposição para compor um governo.

Não são muitas as condições para que Dilma, eventualmente, aceitasse tal alternativa?

Hoje, eu acho que está sendo. Mas, quando eu comecei a falar isso, eu creio que, na primeira, segunda ou terceira sessão [plenária] de fevereiro, no Senado. Logo que começou o novo governo dela eu falei isso. Falei do diálogo, falei que [o ex-presidente da República] Fernando Henrique deveria falar com Lula, e vice-versa. Naquela época eu falava na necessidade de um diálogo, o que é óbvio que ia acontecer mais ou menos desse jeito. Eu não achava que tanto – até porque, naquela época, acho que não havia, ainda, a Operação Lava Jato; e se havia não estava, ainda, no conhecimento da gente –, mas era previsível. Talvez já tenha passado [o tempo do diálogo]. E, aí, nós criamos um problema muito sério: uma presidente que não tem legitimidade, mas tem a legalidade com ela. Se descobre-se que ela está envolvida em crime – corrupção, tudo isso –, aí a gente resolve fácil, tirando-a, embora seja ruim interromper o mandato de presidente. Eu vou ficar muito constrangido se descobrir-se que a Dilma tem crime e eu ter que votar pelo impeachment e ficar na História como um parlamentar que votou para derrubar uma presidente eleita. Se ela tiver envolvida, comprovadamente, em crime. Se ela não tiver, eu não votarei – mas, aí, vai ser muito ruim mais três anos de governo Dilma. Então, estamos em uma situação muito difícil. Com ela, é ruim.

Ela não se abre para o diálogo?

Ela não se abre para o diálogo. Neste momento temos um debate no Senado sobre isso. Agora, com essa greve de caminhoneiros, tem que haver um diálogo total. Mas aí é preciso chamar também os caminhoneiros para que eles venham ao diálogo. Não é só o governo ir; eles têm que vir também. Se eles dizem “nós queremos um único item da pauta: presidente fora”, aí não tem diálogo. Você não pode impor isso em um diálogo.

No final de janeiro, publicamos a história da carta em que o então senador Eduardo Suplicy, o primeiro petista eleito para o Senado, questiona por que jamais foi recebido por Dilma para uma conversa. O que o senhor acha disso?

E não foi recebido mesmo depois de, por ser do PT, ter sido de certa forma agredido em uma livraria em São Paulo. É um erro primário do governo, mas são muitos erros. Agora, é um erro inexplicável não receber um Suplicy. Inexplicável! Primeiro senador do PT, um petista que honrou o PT. Não tem nada, nada, nada contra o Suplicy. Tem o que falar. Mas, às vezes, é uma coisa em que o PT caiu, e por isso caiu: não gosta de quem é crítico. E ele não é afinado totalmente. O PT só quer ouvir quem é da patota. Esse é o problema.

Como o senhor vê um Congresso presidido por dois peemedebistas investigados por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção descoberto pela Lava Jato na Petrobras?
Então, você vê: toda a cadeia de comando do país. A presidente não está diretamente [sob investigação], mas todo o entorno de seu partido, e mesmo o de outros ligados a ela, está envolvido. O vice [presidente, Michel Temer], até que não. Mas sai do vice e vai paro segundo sucessor, o presidente da Câmara [Eduardo Cunha]. Envolvido. Mas aí vai para o segundo sucessor, que é o [presidente do Senado] Renan Calheiros… Também com suspeitas. É uma situação muito ruim para o Brasil. Eu não sei se já teve isso antes. Estamos em uma crise muito, muito séria. Estamos em uma crise social gravíssima, de guerra nas ruas, de violência. Acho que a gente não está percebendo que esse país está vivendo, hoje, uma situação pior do que a da Europa, com a migração. As pessoas estão descendo, sob a forma de assalto, de violência. E, finalmente, essa crise institucional muito séria da falta de credibilidade, cuja melhor indicação é a pesquisa recente que põe todos os políticos que foram pesquisados como rejeitados pela população.

domingo, 8 de março de 2015

Blog Icém Caraúbas entrevista Itamar de Almeida, personagem religioso das procissões de São Sebastião

Por Viviane Cristina



Iniciamos a matéria perguntando aos nossos leitores: Quem nunca viu este personagem na procissão de São Sebastião todo dia 20 de janeiro ao longo desses anos?

O homem que chama a atenção de quem está na procissão e nas calçadas esperando a procissão de São Sebastião é o Missionário Itamar de Almeida, homem este, que ao longo dos anos vem a Caraúbas para evangelizar. Com seu jeito autêntico de ser, suas características são roupas envelhecidas e sai no meio da multidão pregando o amor de Deus, e clareza e entendimento do povo.

E hoje o blog Icém Caraúbas mostra aos caraubenses este homem misterioso que todos tinham vontade de saber quem é? perguntar seu nome e de onde veio? De se aproximar e saber as reais pretensões dele nas procissões ao longo desses anos.

Segundo o missionário, já vem a Caraúbas desde a década de 70, e sempre chama atenção de todos. É da cidade de Messias Targino, porém vive uma vida de andarilho, e que no momento não tem residência fixa. 

Homem simples, que gosta de descobrir o desconhecido, lê muito, é ousado, polêmico, mas sofredor.
Itamar visitou hoje (07/03) nossa cidade para fazer uma visita a Padre Francisco das Chagas, pois disse que o admirava muito, e que se identificava pelas ideias polêmicas, e muito pra frente além do tempo, embora nunca tenha estudado em escola regular, Itamar é um homem de linguajar rebuscado, entendedor de ideais, leitor de livros bons, e sempre a frente do seu tempo.

Perguntamos sobre suas estadias, quem o acolhe, ele citou que já ficou em várias casas e uma delas é de Bibia mãe de Ducéu e também da cabeleireira Nega Maia.

Foi perguntado a ele sobre as vestimentas, ele falou que eram mortalhas, e foram feitas em protesto, aos problemas sociais e religiosos de acordo com cada tempo.

Ao final ele desabafa que está se entristecendo com alguns lugares que não encontra hospedagem, pessoas dão as costas, por preconceito. 

Com muita satisfação indagamos se ele vem dia 20 de janeiro de 2016, e ele respondeu: "se Deus quiser e nos permitir está vivo", mesmo sem saber se algum caraubense de bom coração lhe dará estadia. 

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segunda-feira, 4 de março de 2013

É preciso superar a impunidade

Alan Tygel e Vivian Virissimo,  de Campos dos Goytacazes (RJ)

A violência em Campos dos Goytacazes, região norte do Rio de Janeiro, ocorre com a cumplicidade do poder público que não garante apoio aos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). É o que afirma a dirigente estadual do MST, Marina dos Santos, em entrevista ao Brasil de Fato. Além de apresentar um resgate da conjuntura de violência e impunidade em Campos, ela comenta os dois brutais assassinatos de trabalhadores rurais do Assentamento Zumbi dos Palmares.

Há uma profunda precariedade na execução das políticas públicas, dando espaço para o poder local de concentração da terra, o latifúndio, ficar à vontade na exploração da mão de obra, agir de forma violenta e com ameaças aos trabalhadores. A impunidade é uma marca forte na região”, contou Marina. Líder do acampamento Luís Maranhão, localizado na Usina Cambahyba, o assentado Cícero Guedes foi executado com dez tiros em uma emboscada no dia 26 de janeiro. Onze dias depois, a também assentada Regina dos Santos Pinho foi encontrada com um lenço amarrado no pescoço em sua casa.

Marina também faz um balanço do panorama da reforma agrária no governo da presidenta Dilma Rousseff. “Seria muito importante a presidenta dar uma sinalização concreta de avanço na conquista de terras e desenvolvimento dos assentamentos ou o governo dela vai passar como o que teve pior desempenho dos últimos anos na reforma agrária, desde os governos da ditadura militar”, criticou.

Brasil de Fato - Você participou das primeiras ocupações na região de Campos, há 16 anos. Durante este tempo, foram diversos casos de violência contra trabalhadores sem terra. Em algum deles houve julgamento e punição dos responsáveis?

Marina dos Santos - A violência contra trabalhadores pobres na região, especialmente os que se organizam e lutam por melhores condições de vida, é histórica. No caso do MST, desde a primeira ocupação, nas terras da Usina São João, hoje Assentamento Zumbi dos Palmares, é diária. Uma violência permitida, com cumplicidade pelo poder público, uma vez que não garantem políticas públicas de apoio à produção e infraestrutura das áreas. Há uma profunda precariedade na execução das políticas públicas, dando espaço para o poder local de concentração da terra, o latifúndio ficar a vontade na exploração da mão de obra, agir de forma violenta e com ameaças aos trabalhadores. A impunidade é uma marca forte na região. É preciso superar esse estado de impunidade, julgando e punindo os responsáveis por tanta barbaridade.

O caso da assentada Regina dos Santos Pinho tem elementos fortes de violência contra a mulher. Isso difere o caso de outros, ou confirma uma tendência maior de violência de gênero?

As autoridades policiais ainda não desvendaram os motivos do assassinato da Regina. Ao que tudo indica foi um caso de violência sexual. Foi um crime bárbaro. E faremos pressão para que esse assassinado seja investigado, julgado e que os responsáveis sejam penalizados. Isso só demonstra o descaso a que são submetidos os assentamentos da região. Regina é mais uma vítima de um sistema de extermínio, exploração e marginalização daqueles que ousam lutar por um mundo mais justo e digno através da reforma agrária, num contexto de dominação do latifúndio onde as relações culturais reproduzem essa violência instalada.

Campos é uma das cidades mais ricas do país, com cerca de 80 latifúndios. Como esse contexto de concentração de renda e disputa fundiária ajuda a entender essa onda de violência que atinge o MST?

Campos é um município muito rico, recebe muito dinheiro dos royalties, mas isso não representa mudanças sociais e econômicas para os segmentos menos favorecidos da população, é uma das cidades que tem mais pobres no Brasil, a maioria da população vive de cestas básicas e programas de compensação social. É uma vergonha como os governos local e estadual tratam a população com um sistema populista e os mais privilegiados continuam sendo os grandes proprietários.

Como você analisa o caráter desta violência na região? As raízes são somente a questão da disputa fundiária, ou há outros elementos?

As raízes desse sistema se sustentam mantendo os camponeses reféns de uma política oligárquica e latifundiária operada pelo Estado brasileiro que financia descaradamente um modelo de desenvolvimento concentrador e explorador da terra. Esse modelo é responsável pela desigualdade social, que mantém o processo de concentração do poder, nega os direitos à população e garante uma péssima distribuição de recursos e não permite aos povos do campo o direito a uma cidadania real através da implementação de uma efetiva política de Reforma agrária. Um exemplo real disso é o orçamento mínimo da atual Secretaria de Agricultura do município que mostra o total descaso às necessidades da agricultura familiar camponesa, ao mesmo tempo, em 2009, Campos foi considerada pela OIT o município com maior índice de trabalho escravo do Brasil.

Como está o clima na ocupação da Usina Cambahyba após os crimes? Como o movimento tem lidado com o medo dos acampados diante desses dois casos recentes de violência?

Os assassinatos do Cícero e da Regina trouxeram um clima de insegurança em toda a região. Em todos os acampamentos e assentamentos as famílias estão se sentindo tensas, inseguras e fragilizadas, mas estamos pressionando as autoridades locais e nacionais para que olhem pra essa realidade e dediquem esforços no sentido de investigar, descobrir os responsáveis por tanta violência e prender os mandantes e executores. É preciso que haja julgamento, condenação pública e justiça.

Essa violência é mais acentuada em Campos dos Goytacazes do que no resto do estado? Qual o panorama brasileiro de violência contra os assentados e acampados?

Campos está localizada na região Norte/Noroeste, que representam 35,3% da área total do Estado, com prioridade na produção agrícola. As usinas canavieiras sempre foram financiadas com recursos públicos, mas sem controle nenhum. Elas sempre fizeram mau uso do recurso público, tanto que quase todas faliram e mantém altíssimas dívidas com a União, através da Fazenda Nacional, a Cambayba é um grande exemplo. Então, esses usineiros da região nunca tiveram nenhum escrúpulo seja com o dinheiro público, seja com os direitos trabalhistas, sempre utilizaram da força e violência. Isso gerou uma cultura forte na região de milícias, jagunçagem e pistolagem que parece uma terra sem lei.

Sobre o caso do Cícero dos Santos. Caso se confirme a hipótese de que o mandante e os assassinos eram ligados ao tráfico de drogas: como o MST lida com isso? Que tipo de procedimentos são feitos para tentar garantir que as áreas ocupadas fiquem livres de outros interesses que não a luta pela terra?

Nosso papel de movimento social é continuar organizando o povo, pressionado o Incra para que garanta os critérios estabelecidos para aprovação de quem pode ser assentado. É preciso que o Incra seja contundente na seleção das famílias para garantir um bom assentamento. Queremos fazer da Usina Cambahyba um assentamento de famílias com tradição na agricultura camponesa, participativo, de trabalhadores, com participação da sociedade, das universidades locais, das entidades e movimentos sociais que sempre estiveram presente na luta pela terra e pela reforma agrária. Um assentamento que seja um outro modelo de desenvolvimento da região, baseado na agroecologia, na produção de alimentos saudáveis, na recuperação e preservação ambiental, construindo outras relações culturais baseadas na solidariedade.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que não são comuns os casos de violência em assentamentos. Apesar desses dois casos, o MST segue defendendo a reforma agrária como forma de reduzir a violência no campo?

O MST do Rio não vai ceder um milímetro de suas ações na luta pela democratização da terra e realização da reforma agrária. Mesmo o estado do Rio de Janeiro sendo tão urbanizado, a questão agrária não se difere de outros, o índice de Gini comprova isso em relação a concentração da terra, o uso intensivo que as grande propriedades e usinas canavieiras fazem de agrotóxico, destruição ambiental e utilização de mão de obra escrava para garantir seus lucros. Sem contar a ação do grande capital, como o exemplo do Porto do Açu em São João da Barra (empreendimento do Eike Batista), que tem expulsado os camponeses, destruído o meio ambiente e tem apoio financeiro e político público para esse projeto. Vamos continuar denunciando esse projeto da morte, do desenvolvimento insustentável e concentrador e defendendo a reforma agrária como forma de garantir cidadania e dignidade aos mais pobres, como perspectiva de futuro. Setores da imprensa têm argumentado que o avanço do capitalismo no campo acabou com o latifúndio improdutivo e que, portanto, a reforma agrária é “desnecessária”.

Como o movimento reage a esse posicionamento de donos dos meios de comunicação?

Os grandes meios de comunicação fazem parte da associação do agronegócio no Brasil. Eles têm gerado uma grande confusão na população com suas mentiras. É importante dizer que o capitalismo não acabou com o latifúndio improdutivo e nem que as propriedades modernizadas representam um desenvolvimento para nosso país. A população tem que refletir que tipo de desenvolvimento é esse, quem está lucrando e se beneficiando com isso. O agronegócio tem uma articulação muito grande em diversos setores da sociedade, seja no Congresso Nacional, no judiciário, nos meios de comunicação e em vários setores do executivo. Sua ações têm sido sempre para defender seus interesses, como o caso do Código Florestal.

O MST vem afirmando na imprensa que o governo federal é resultado de uma composição de classes. Como você avalia a possibilidade de avanço da luta pela terra no Brasil neste contexto histórico?

Está claro que o governo é de composição de forças políticas e sociais, o capital e o agronegócio têm muito poder nos aparatos do Estado brasileiro. O governo não tem força para uma proposta de reforma agrária. O pior é que o governo faz opção clara pelo agronegócio, demonstra tanto pelo discurso político da maioria dos ministérios como a liberação de recursos para as grandes empresas. Não existe uma ação do governo de democratizar a terra e para enfrentar o latifúndio improdutivo.

O MST, levando em conta o estágio atual do capitalismo, já não defende mais a reforma agrária clássica vinculada somente aos interesses do desenvolvimento do mercado interno para a indústria. Como uma reforma agrária popular, que solucione os problemas dos trabalhadores rurais, pode ser viável no atual contexto?

Defendemos a reforma agrária popular, em que o governo resolva os problemas emergenciais que há com as mais de 80 mil famílias acampadas em todo o país, garantindo o assentamento imediato delas. E junto com isso, uma ação de desconcentração da terra, punindo o latifúndio acompanhado de políticas de desenvolvimento que garantam em primeiro lugar passar da produção de monocultivos para exportação, para a produção de alimentos, com fartura, qualidade e preço baixo para toda a população desde o campo às cidades, garantindo a soberania alimentar. Em segundo, garantir a construção de pequenas agroindústrias no campo, como forma de geração de empregos, renda e agregar valor à produção. Em terceiro, garantir educação – enfrentar o analfabetismo e ter escolas técnicas e acesso às universidades para toda a juventude.

Recentemente a presidenta Dilma Rousseff sinalizou que recursos do BNDES serão usados não só para dar sustentação à produtividade nos assentamentos, mas também para ampliar o ritmo de desapropriações e legalizações de terras. Como o MST avalia isso?

Seria muito importante a presidenta dar uma sinalização concreta de avanço na conquista de terras e desenvolvimento dos assentamentos ou o governo dela vai passar como o que teve pior desempenho dos últimos anos na reforma agrária, desde os governos da ditadura militar. Se ela quiser, apesar das diversidades de seu governo, tem como ampliar os recursos, reestruturar o Incra, avançar nas desapropriações e investir na infraestrutura dos assentamentos. E isso, acho que passa pela opção de desenvolvimento e investimento da presidenta Dilma. Certamente, estaria pagando uma dívida histórica não só com os sem terras, mas com toda a população brasileira.

domingo, 20 de janeiro de 2013

“O PMDB TEVE PACIÊNCIA ATÉ DEMAIS”, DECLARA VICE-GOVERNADOR


O vice-governador dissidente Robinson Faria (PSD) dedicou boa parte da semana a Mossoró, onde visitou aliados, deu entrevistas e indicou o caminho que deve tomar em 2014. Ele falou sobre as articulações para o pleito vindouro, fez as habituais críticas à governadora e tratou da possível chegada do PMDB para a oposição. Confira isso e muito mais na entrevista abaixo.

O Mossoroense: Candidato em 2014 ao governo, qual a sua maior motivação para isso?

Robinson Faria: Tenho respondido essa pergunta aonde eu chego. Em 2010, quase aconteceu de Robinson Faria ser candidato a governador do Estado e eu não fui. Isso agora volta a acontecer. Eu não escondo de ninguém o meu desejo de ser candidato a governador. Isso não é pecado. É melhor que a hipocrisia e a desfaçatez. É uma causa muito nobre. Mas isso não depende só de mim, do meu sonho, do meu trabalho, do meu passado, do que eu já fiz e posso fazer. Dependerá também dos sentimentos das ruas, das pessoas, de eu poder aglutinar apoiadores importantes para essa vitória. A minha caminhada é para viabilizar esse projeto. Em 2014, será o ano da decisão. O destino sempre coloca as coisas no momento certo. Talvez 2010 não fosse o momento. A cada depoimento que eu escuto percebo que o momento é 2014. Eu sou muito tranquilo porque as pessoas escolhem quem deve ser candidato a governador e as mesmas pessoas escolhem quem será o governador.

OM: O que ocorreu em 2010 que o senhor não repetiria neste novo momento de articulação?

RF: Se eu tivesse o dom de adivinhar… O ser o humano não tem o dom de adivinhar por mais instinto, “feeling”… só Deus poderia conceber esse milagre. Em 2010, eu era candidato a governador e me sentia um pouco injustiçado, poderia até usar uma palavra mais suave, mas no momento me ocorre essa palavra, pelo critério usado para a escolha do candidato do grupo que eu fazia parte. Não era nada pessoal. Não teve nenhuma briga com a então governadora Wilma de Faria. Achei que não houve um processo democrático. Tínhamos quatro nomes da base aliada que estavam oferecendo seu nome para o Governo do Estado: eu, o vice-governador Iberê, o hoje prefeito do Natal, Carlos Eduardo; e o deputado João Maia, que não votou em Rosalba, mas aderiu ao governo. Na época eu fui à casa de Wilma e sugeri a ela que convocasse nós quatro e lançasse a proposta para todos nós publicamente que iria lançar uma pesquisa estadual e outra nacional e aquele de nós que tivesse o melhor desempenho seria o candidato do grupo. Ela não aceitou. Ela só queria apoiar o vice-governador Iberê Ferreira. Eu disse que ela estava errada. Nada pessoal contra Iberê, de quem sou muito amigo, assim como dela. Superamos esse momento no diálogo e na conversa. Ela explicou as suas razões, e eu, as minhas. Isso fez eu apostar num grupo novo que estava me convidando. Eu apostei num governo compartilhado que me foi oferecido. Numa relação nova, fraterna, com espírito público, sem imperialismo, sem mesquinharia, mas infelizmente isso não se concretizou e eu tive que dar o grito de liberdade o mais rápido possível porque estava no limite da minha dignidade. Nunca houve na história do Rio Grande do Norte um caso de um vice-governador eleito romper em menos de um ano.

OM: Que diferenças o senhor vê entre o seu rompimento com Rosalba com o caso de Wilma em 2010?

RF: Com Wilma foi totalmente diferente. Foi uma escolha dela para uma candidatura, mas o governo dela nós convivemos oito anos e durante esse tempo sempre fui o presidente da Assembleia, eleito por unanimidade e com o apoio dela.

Ela nunca questionou a minha liderança. Ela apenas raciocinou que não poderia deixar de apoiar o seu vice-governador Iberê Ferreira de Souza. Eu acho que foi um equívoco que ela cometeu. Ela terminou sendo penalizada com isso, porque dividiu-se o sistema. Eu levei meu grupo para a oposição. Perdeu Iberê, e ela perdeu para o Senado. Se permanecesse todo esse grupo unido, talvez a história hoje fosse diferente.

OM: Em 1974, seu pai, Osmundo Faria, chegou muito perto de ser governador, mas uma articulação prejudicou-o na última hora. Disputar o governo também seria uma forma de homenageá-lo?

RF: Também. Eu tenho engasgado esse dia. Eu tinha 15 anos de idade. Meu pai me telefonou de Brasília, falou com minha mãe também. Os dois já morreram. Meu pai morreu precocemente, com 57 anos de idade. Ele me disse: “Meu filho não comente com ninguém, mas eu fui convidado pelo presidente Geisel para ser o governador do Rio Grande do Norte. Isso foi numa segunda-feira e ele mandou eu ficar em Brasília porque sexta-feira de manhã ele vai anunciar os governadores de três estados, entre eles o Rio Grande do Norte. Ele dormiu governador do Rio Grande do Norte na segunda, na terça, na quarta e quinta-feira. Na madrugada de quinta para sexta-feira, o ministro do Exército, general Dale Coutinho, que era amigo do meu pai, defendeu o nome dele em seu grupo, que era muito ligado ao presidente Geisel. Meu pai foi aceito, mas o ministro morreu horas antes da solenidade, umas três ou quatro horas antes do anúncio de meu pai como governador do Estado. Com a morte do general Dale Coutinho houve uma reviravolta, e o senador Dinarte Mariz, que era contra o meu pai na época e queria outro nome, conseguiu adiar o lançamento do nome do meu pai e aconteceu o inesperado: Tarcísio Maia, que não fazia parte da lista sêxtupla aprovada pelos convencionais da Arena, e meu pai foi o mais votado dessa lista. Quem elegia essa lista: eram os prefeitos, os deputados e o presidente da Arena em cada Estado. Era uma eleição democrática porque tinha a escolha de quem militava no partido. O presidente de seis nomes foi o escolhido para ser governador, e Tarcísio Maia, que nem foi escolhido e estava aposentado, morando no Rio de Janeiro, terminou sendo o governador do Estado.

OM: Quanto ao processo de articulação. Hoje existe algum correligionário da oposição que gostaria de disputar o governo?

RF: Não. Pelo contrário. Até gora, e digo com toda a honestidade que todos até agora externaram a sua posição, inclusive Carlos Eduardo, assim como o prefeito de Parnamirim e a própria Wilma, que esteve comigo em três reuniões e disse que está fora de cogitação ela disputar o cargo de governador. Wilma quer disputar o cargo de Legislativo, inclusive comenta-se que ela está em direção à Câmara Federal. A deputada Fátima seria senadora, formando uma chapa comigo. Mas isso é uma análise, uma construção. Não tem nada amarrado, definido. Ainda é preciso esperar as pesquisas e as avaliações. Sei que são etapas que estão acontecendo aos poucos.

OM: Falando em Câmara… Seu filho Fábio Faria quer ser primeiro secretário da Casa. Como o senhor vê isso?

RF: Eu acho até uma ousadia dele, mas sou um defensor da ousadia na vida. Na hora que ele bota para fora esse sentimento de ousadia passo até a admirar. É o segundo cargo mais importante da Câmara e isso é muito bom. Se vai ganhar, eu não sei, mas ele botou a cara e está percorrendo os estados. Já houve uma votação interna do PSD, que tem 53 deputados federais, e ele venceu. Agora é vencer no plenário, ele vai ter uma projeção muito boa do seu mandato.

OM: Se o PMDB vier para a oposição e querer indicar o candidato a governador, qual será a sua reação?

RF: Sempre defendo o diálogo, as pesquisas, ouvir as lideranças. Do mesmo jeito que tenho o direito de sonhar, meus companheiros também têm. Ninguém é dono de nada na política. Tudo tem que ser conquistado. Se o PMDB vir, será muito bem-vindo.

OM: Na sua opinião o PMDB teve muita paciência com a governadora?

RF: Acho que sim. O PMDB teve paciência até demais.

OM: O senhor falou há pouco que é um admirador da ousadia. É isso que, na sua opinião, falta ao governo Rosalba?

RF: Falta ousadia, falta competência, falta projeto, falta planejamento, falta a verdade, falta dignidade, falta gratidão, falta coerência, falta muita coisa… mas mesmo assim o nosso Estado é tão forte que vai superar isso e dar a volta por cima.

OM: Na sua opinião, a situação do Estado pede austeridade ou investimento?

RF: Os dois. Ambos caminham lado a lado. Choque de gestão e recuperar a capacidade de investimento do Estado.

OM: A saúde do Rio Grande do Norte é uma das piores do Brasil. Qual a saída que o senhor vê para esse problema?

RF: Primeiro ponto. Sentar com humildade e conversar com o Sindicato, com a Associação dos Médicos. Essa soberba, essa arrogância de não dialogar com os médicos quem está perdendo é a população, que não está tendo saúde. O governo não pode ser imperial. O governador é apenas um gestor que toma conta do estado, mas não é dono do estado. Aquela cadeira é transitória. O povo coloca e tira. Se você está no cargo de governador, você é obrigado a interagir com todos os segmentos, ainda mais quando se trata das vidas humanas que é a classe médica. O primeiro passo para a saúde é sentar para acabar com essa queda de braço que só está prejudicando a população que precisa de médicos dando plantões para salvar vidas e esse imperialismo com essa forma mesquinha de governar não leva a esse diálogo. Segundo: tem que acabar com essa politicagem na saúde. Não podemos pegar as direções dos hospitais regionais e transformar em moeda de barganha política para ganhar eleição municipal, entregando a pessoas incompetentes para dirigirem hospitais. Terceiro: temos que investir em equipamentos para recuperar os hospitais regionais. Construir um novo hospital em Natal. Fortaleza fez o seu, Pernambuco fez quatro hospitais novos em quatro anos de Eduardo Campos. Aqui nem projeto tem de um hospital novo. A saúde é o principal pilar de uma sociedade civil organizada. Temos que quebrar essa caixa-preta da escala de plantão dos médicos, mas essa caixa-preta só se quebra dialogando com eles. Precisamos de uma auditoria permanente da distribuição de medicamentos. Faltam remédios nos hospitais, faltam remédios nos postos de saúde, os serviços de alta complexidade não chegam para salvar vidas humanas. Temos que quebrar esse paradigma. O nosso investimento hoje é simplório. Estamos abaixo dos demais estados brasileiros. Nem o custeio está sendo repassado. Por isso que a saúde está sucateada. Decretaram a calamidade por vários meses e não aconteceu nada. Pelo contrário, está pior. Eu não tenho medo de errar até porque conversei com muitos médicos e as cirurgias ortopédicas não estão acontecendo no Rio Grande do Norte, está nascendo aí uma geração de sequelados. A pessoa sofre um acidente de trânsito e fica semanas esperando o atendimento.

OM: Mês que vem começa o processo eleitoral da Uern. A autonomia financeira estará na pauta. O senhor sendo governador atenderá a essa antiga reivindicação?

RF: Sou o autor da criação do Campus da Uern na cidade de Nova Cruz. Na época era o presidente da Assembleia e fiz o projeto de lei que levou a Uern para Nova Cruz, onde funciona muito bem. Aliás, quero fazer o registro que a Faculdade de Direito é a que mais aprova para a OAB entre as universidades públicas. Isso me orgulha bastante. Sou um admirador da Uern. Sou fã de carteirinha da Uern. Se um dia chegar a governar o Estado darei plena autonomia à Uern e serei um grande parceiro dela.

Bruno Barreto
Editor de Política

Fonte: O Mossoroense via Blog Programa Registrando 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Vanzinho Carneiro conta tudo sobre o segundo maior assalto do Brasil


Durante Cafezinho com o Jornalista César Santos, o cantor evangélico Vanzinho Carneiro conta detalhes de como realizou, junto com dois irmãos e um amigo, o segundo maior assalto da história do Brasil em 1982, perdendo apenas para o Banco Central em 2005, e o que fez com tanto dinheiro.

Conta detalhes sobre a rixa entre a família do então prefeito de Caraúbas Zimar Fernandes com a família Carneiro, que resultou em várias mortes de todos os lados, assim como com a família Simião, também resultados em mortes dos dois anos. “Erramos todos os amigos, mas depois veio às traições e as desavenças”.

Condenado a 142 anos e 6 meses de prisão, tendo passado 12 anos em regime fechado, Vanzinho conta como entrou no mundo do crime, quem realmente participou do assalto dos 94 milhões da emergência e como saiu vivo do mundo do crime e que agora a família Carneiro saiu do mundo do crime. "O crime não compensa de jeito nenhum", diz. Este é um cenário muito diferente do início dos anos oitenta.

Segundo Vanzinho, naquela época Carneiro ou matava ou morria. “Carneiro se envolver em coisa errada é pena máxima. A ordem na polícia é matar carneiro. E papai disse: ‘vocês ou matam ou morrem. Se é de vocês morrerem eu prefiro matando’. Aí escolhi: vou morrer com meus irmãos. Aí entremos na vida do crime”.

Estes e outros detalhes ainda mais reveladores domingo (16), no Cafezinho com César Santos, do Defato.com.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Shirley Targino: "Este projeto é importante para nossa gestão"

Em entrevista  ao site Potiguar Notícias.


Prefeita, no ano passado, a senhora foi destaque no prêmio prefeito empreendedor e, este ano, foi realizado mais um evento para premiar os prefeitos que se preocupam com o empreendedorismo. Qual o olhar da senhora sob este evento?


É um projeto excelente em que o SEBRAE dá oportunidade aos municípios de mostrarem um pouco do seu trabalho, e isso tem feito um diferencial. Eu fui prefeita empreendedora a nível estadual e também nacional e foi muito importante para nossa administração. Eu gostaria de parabenizar os prefeitos ganhadores do prêmio ess ano, principalmentee Ivan Junior como destaque que ganhou o prefeito empreendedor do ano aqui no estado e agora vai concorrer ao nacional.

A senhora pode explicar um pouco como funciona o prêmio?

No ano passado, nós concorremos com 98 prefeitos, e apenas nove ganharam o prêmio a nível nacional e Messias Targino foi um dos vencedores. Então, todos os estados mandam seus destaques e, desta vez, é Ivan Júnior quem vai nos representar. Caso ganhe, vai visitar, acompanhado pelo SEBRAE nacional, projetos na Europa e conhecer missões internacionais que trabalham com projetos empreendedores, são projetos maravilhosos que nos ensinam muito e também levamos nossos projetos para trocamos experiência.

Dessa interação, surgiu alguma ideia para ser implantada no seu município?

Com certeza, nós tivemos a oportunidade de trocar muitas ideias, inclusive, entre os nove vencedores e ainda fazemos os encontros da rede dos prefeitos empreendedores e trazemos ideias inovadoras para nossos municípios como, por exemplo, ideia inovadora que conhecemos em Barcelona, onde vimos um local onde todas as pessoas da localidade que estão desempregadas fazem um cadastro e a prefeitura capacita essas pessoas e se associam com empresas para empregá-las, eles chamam de “incubadora”. Isso é interessante, pois como o município não tem capacidade de empregar todo mundo, passa a ter parcerias e encaminha os munícipes para empresas que estejam empregando e ainda fazendo outra parte que é a capacitação. E nós já estamos nos planejando para implantar isso na nossa cidade.

Quais são as modalidades do prêmio?

São 39 finalistas concorrendo aos prêmios de “empreendedor do ano”, dessa vez, o título ficou com Ivan Júnior. O prefeito de Janduís, Salomão Gurgel, ganhou com “compras governamentais”, e o prefeito Leonardo Rego ganhou com “formalização de empreendimentos”, o mesmo que eu ganhei a nível nacional.

Agora vamos mudar um pouquinho o rumo da nossa conversa, a senhora é presidente do PR mulheres aqui no estado. Conte-nos um pouco dos seus projetos nessa área.

Nós teremos, em breve, um encontro que contará com a presença da presidente nacional do PR mulher, a deputada Nilmar Ruiz, e estamos formando, nos municípios, o diretório do PR mulher com líderes comunitárias, vereadoras, prefeitas e pretendemos reunir essas mulheres no hotel Rifoles onde teremos algumas palestrantes falando sobre diversos assuntos de interesse da mulher.

Ainda sobre esse tema, a senhora acha que as mulheres decidiram mesmo participar da política para valer?

Estão sim, para valer, as mulheres, quando se envolvem, vão até o fim e estão ocupando espaço muito bom na política e eu acho que você está vendo quanto a mulher
tem crescido nesse campo. Hoje, somos 27 prefeitas no estado.

A senhora acha que pode aumentar na próxima gestão?

Com toda certeza, esse número deve crescer, até porque já estamos vendo várias mulheres pré-candidatas nos municípios. Nós temos nossas responsabilidades como mãe, dona de casa, esposa e de mulher, que também não é fácil ser mulher e manter- se bonita, mas nós conseguimos conciliar tudo isso.

A senhora pode nos atualizar um pouco acerca dos índices de violência contra a mulher aqui no estado do RN?

Tem sido um fato que chama atenção esse fato da violência contra a mulher e está sendo formado um comitê estadual, e eu fui convidada para ser presidente e vamos nos reunir com a SEJUC (secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania) na Semurb, para discutirmos o início do nosso trabalho e também o aumento da segurança dessas mulheres agredidas, com um maior número de delegacias da mulher, casas de apoio, pois, normalmente, quando uma mulher é agredida, não tem para onde ir, e as casas de apoio fazem esse trabalho.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Paulo de Tarso sobre o Governo Rosalba: "não tem condições sequer de acertar"

Tido com um dos principais aliados do Governo de Rosalba Ciarlini (DEM), o então secretário-chefe do Gabinete Civil Paulo de Tarso Fernandes pediu exoneração nesta sexta-feira (21), mesma data do rompimento do vice-governador Robinson Faria (PSD). Entre os motivos alegados, ele apontou a interferência externa do ex-deputado e marido da governadora, Carlos Augusto Rosado, nas decisões políticas e administrativas.

Em entrevista ao blog de Thaisa Galvão, o "ex-super secretário" fez algumas afirmações sobre a gestão da Rosa. Confira:

Retrovisor

"Eu disse a ela (Rosalba) que é por essas e outras que o governo está aos frangalhos. Que a gente critica os governos de Wilma e Iberê, mas a gente não tem condições sequer de sanar as contas do governo. A gente não tem condições sequer de acertar (...) Não é justo que a gente tire dos servidores, aperte daqui e dali e não consiga acertar"

Lei do empréstimo

"Falei com ela pelo telefone em Nova York e ela me disse que Robinson podia sancionar. Quando falei com o deputado (Carlos Augusto) ele me disse que eu trancasse a lei na gaveta e não entregasse. Dissesse que a lei estava em qualquer lugar. Em Tibau ou em qualquer lugar. Mas aí o governador era Robinson e a governadora Rosalba estava sabendo, não havia nada que ela não soubesse, então decidi não atender ao deputado"

Quem manda

"Foram 10 meses de governo onde todas as decisões do Estado foram do marido da governadora"

"Ela despacha em casa. Governa de casa. Mas o lugar do governador é no gabinete. Até porque um deputado, um prefeito ou um secretário que quiser falar com a governadora não vai para a casa dela sem ser chamado, mas na Governadoria ele chega. Eu mesmo como chefe da Casa Civil só ia quando era chamado."

Fonte: Blog de Thaisa Galvão/Blog do Rillen Rocha