domingo, 20 de janeiro de 2013

“O PMDB TEVE PACIÊNCIA ATÉ DEMAIS”, DECLARA VICE-GOVERNADOR


O vice-governador dissidente Robinson Faria (PSD) dedicou boa parte da semana a Mossoró, onde visitou aliados, deu entrevistas e indicou o caminho que deve tomar em 2014. Ele falou sobre as articulações para o pleito vindouro, fez as habituais críticas à governadora e tratou da possível chegada do PMDB para a oposição. Confira isso e muito mais na entrevista abaixo.

O Mossoroense: Candidato em 2014 ao governo, qual a sua maior motivação para isso?

Robinson Faria: Tenho respondido essa pergunta aonde eu chego. Em 2010, quase aconteceu de Robinson Faria ser candidato a governador do Estado e eu não fui. Isso agora volta a acontecer. Eu não escondo de ninguém o meu desejo de ser candidato a governador. Isso não é pecado. É melhor que a hipocrisia e a desfaçatez. É uma causa muito nobre. Mas isso não depende só de mim, do meu sonho, do meu trabalho, do meu passado, do que eu já fiz e posso fazer. Dependerá também dos sentimentos das ruas, das pessoas, de eu poder aglutinar apoiadores importantes para essa vitória. A minha caminhada é para viabilizar esse projeto. Em 2014, será o ano da decisão. O destino sempre coloca as coisas no momento certo. Talvez 2010 não fosse o momento. A cada depoimento que eu escuto percebo que o momento é 2014. Eu sou muito tranquilo porque as pessoas escolhem quem deve ser candidato a governador e as mesmas pessoas escolhem quem será o governador.

OM: O que ocorreu em 2010 que o senhor não repetiria neste novo momento de articulação?

RF: Se eu tivesse o dom de adivinhar… O ser o humano não tem o dom de adivinhar por mais instinto, “feeling”… só Deus poderia conceber esse milagre. Em 2010, eu era candidato a governador e me sentia um pouco injustiçado, poderia até usar uma palavra mais suave, mas no momento me ocorre essa palavra, pelo critério usado para a escolha do candidato do grupo que eu fazia parte. Não era nada pessoal. Não teve nenhuma briga com a então governadora Wilma de Faria. Achei que não houve um processo democrático. Tínhamos quatro nomes da base aliada que estavam oferecendo seu nome para o Governo do Estado: eu, o vice-governador Iberê, o hoje prefeito do Natal, Carlos Eduardo; e o deputado João Maia, que não votou em Rosalba, mas aderiu ao governo. Na época eu fui à casa de Wilma e sugeri a ela que convocasse nós quatro e lançasse a proposta para todos nós publicamente que iria lançar uma pesquisa estadual e outra nacional e aquele de nós que tivesse o melhor desempenho seria o candidato do grupo. Ela não aceitou. Ela só queria apoiar o vice-governador Iberê Ferreira. Eu disse que ela estava errada. Nada pessoal contra Iberê, de quem sou muito amigo, assim como dela. Superamos esse momento no diálogo e na conversa. Ela explicou as suas razões, e eu, as minhas. Isso fez eu apostar num grupo novo que estava me convidando. Eu apostei num governo compartilhado que me foi oferecido. Numa relação nova, fraterna, com espírito público, sem imperialismo, sem mesquinharia, mas infelizmente isso não se concretizou e eu tive que dar o grito de liberdade o mais rápido possível porque estava no limite da minha dignidade. Nunca houve na história do Rio Grande do Norte um caso de um vice-governador eleito romper em menos de um ano.

OM: Que diferenças o senhor vê entre o seu rompimento com Rosalba com o caso de Wilma em 2010?

RF: Com Wilma foi totalmente diferente. Foi uma escolha dela para uma candidatura, mas o governo dela nós convivemos oito anos e durante esse tempo sempre fui o presidente da Assembleia, eleito por unanimidade e com o apoio dela.

Ela nunca questionou a minha liderança. Ela apenas raciocinou que não poderia deixar de apoiar o seu vice-governador Iberê Ferreira de Souza. Eu acho que foi um equívoco que ela cometeu. Ela terminou sendo penalizada com isso, porque dividiu-se o sistema. Eu levei meu grupo para a oposição. Perdeu Iberê, e ela perdeu para o Senado. Se permanecesse todo esse grupo unido, talvez a história hoje fosse diferente.

OM: Em 1974, seu pai, Osmundo Faria, chegou muito perto de ser governador, mas uma articulação prejudicou-o na última hora. Disputar o governo também seria uma forma de homenageá-lo?

RF: Também. Eu tenho engasgado esse dia. Eu tinha 15 anos de idade. Meu pai me telefonou de Brasília, falou com minha mãe também. Os dois já morreram. Meu pai morreu precocemente, com 57 anos de idade. Ele me disse: “Meu filho não comente com ninguém, mas eu fui convidado pelo presidente Geisel para ser o governador do Rio Grande do Norte. Isso foi numa segunda-feira e ele mandou eu ficar em Brasília porque sexta-feira de manhã ele vai anunciar os governadores de três estados, entre eles o Rio Grande do Norte. Ele dormiu governador do Rio Grande do Norte na segunda, na terça, na quarta e quinta-feira. Na madrugada de quinta para sexta-feira, o ministro do Exército, general Dale Coutinho, que era amigo do meu pai, defendeu o nome dele em seu grupo, que era muito ligado ao presidente Geisel. Meu pai foi aceito, mas o ministro morreu horas antes da solenidade, umas três ou quatro horas antes do anúncio de meu pai como governador do Estado. Com a morte do general Dale Coutinho houve uma reviravolta, e o senador Dinarte Mariz, que era contra o meu pai na época e queria outro nome, conseguiu adiar o lançamento do nome do meu pai e aconteceu o inesperado: Tarcísio Maia, que não fazia parte da lista sêxtupla aprovada pelos convencionais da Arena, e meu pai foi o mais votado dessa lista. Quem elegia essa lista: eram os prefeitos, os deputados e o presidente da Arena em cada Estado. Era uma eleição democrática porque tinha a escolha de quem militava no partido. O presidente de seis nomes foi o escolhido para ser governador, e Tarcísio Maia, que nem foi escolhido e estava aposentado, morando no Rio de Janeiro, terminou sendo o governador do Estado.

OM: Quanto ao processo de articulação. Hoje existe algum correligionário da oposição que gostaria de disputar o governo?

RF: Não. Pelo contrário. Até gora, e digo com toda a honestidade que todos até agora externaram a sua posição, inclusive Carlos Eduardo, assim como o prefeito de Parnamirim e a própria Wilma, que esteve comigo em três reuniões e disse que está fora de cogitação ela disputar o cargo de governador. Wilma quer disputar o cargo de Legislativo, inclusive comenta-se que ela está em direção à Câmara Federal. A deputada Fátima seria senadora, formando uma chapa comigo. Mas isso é uma análise, uma construção. Não tem nada amarrado, definido. Ainda é preciso esperar as pesquisas e as avaliações. Sei que são etapas que estão acontecendo aos poucos.

OM: Falando em Câmara… Seu filho Fábio Faria quer ser primeiro secretário da Casa. Como o senhor vê isso?

RF: Eu acho até uma ousadia dele, mas sou um defensor da ousadia na vida. Na hora que ele bota para fora esse sentimento de ousadia passo até a admirar. É o segundo cargo mais importante da Câmara e isso é muito bom. Se vai ganhar, eu não sei, mas ele botou a cara e está percorrendo os estados. Já houve uma votação interna do PSD, que tem 53 deputados federais, e ele venceu. Agora é vencer no plenário, ele vai ter uma projeção muito boa do seu mandato.

OM: Se o PMDB vier para a oposição e querer indicar o candidato a governador, qual será a sua reação?

RF: Sempre defendo o diálogo, as pesquisas, ouvir as lideranças. Do mesmo jeito que tenho o direito de sonhar, meus companheiros também têm. Ninguém é dono de nada na política. Tudo tem que ser conquistado. Se o PMDB vir, será muito bem-vindo.

OM: Na sua opinião o PMDB teve muita paciência com a governadora?

RF: Acho que sim. O PMDB teve paciência até demais.

OM: O senhor falou há pouco que é um admirador da ousadia. É isso que, na sua opinião, falta ao governo Rosalba?

RF: Falta ousadia, falta competência, falta projeto, falta planejamento, falta a verdade, falta dignidade, falta gratidão, falta coerência, falta muita coisa… mas mesmo assim o nosso Estado é tão forte que vai superar isso e dar a volta por cima.

OM: Na sua opinião, a situação do Estado pede austeridade ou investimento?

RF: Os dois. Ambos caminham lado a lado. Choque de gestão e recuperar a capacidade de investimento do Estado.

OM: A saúde do Rio Grande do Norte é uma das piores do Brasil. Qual a saída que o senhor vê para esse problema?

RF: Primeiro ponto. Sentar com humildade e conversar com o Sindicato, com a Associação dos Médicos. Essa soberba, essa arrogância de não dialogar com os médicos quem está perdendo é a população, que não está tendo saúde. O governo não pode ser imperial. O governador é apenas um gestor que toma conta do estado, mas não é dono do estado. Aquela cadeira é transitória. O povo coloca e tira. Se você está no cargo de governador, você é obrigado a interagir com todos os segmentos, ainda mais quando se trata das vidas humanas que é a classe médica. O primeiro passo para a saúde é sentar para acabar com essa queda de braço que só está prejudicando a população que precisa de médicos dando plantões para salvar vidas e esse imperialismo com essa forma mesquinha de governar não leva a esse diálogo. Segundo: tem que acabar com essa politicagem na saúde. Não podemos pegar as direções dos hospitais regionais e transformar em moeda de barganha política para ganhar eleição municipal, entregando a pessoas incompetentes para dirigirem hospitais. Terceiro: temos que investir em equipamentos para recuperar os hospitais regionais. Construir um novo hospital em Natal. Fortaleza fez o seu, Pernambuco fez quatro hospitais novos em quatro anos de Eduardo Campos. Aqui nem projeto tem de um hospital novo. A saúde é o principal pilar de uma sociedade civil organizada. Temos que quebrar essa caixa-preta da escala de plantão dos médicos, mas essa caixa-preta só se quebra dialogando com eles. Precisamos de uma auditoria permanente da distribuição de medicamentos. Faltam remédios nos hospitais, faltam remédios nos postos de saúde, os serviços de alta complexidade não chegam para salvar vidas humanas. Temos que quebrar esse paradigma. O nosso investimento hoje é simplório. Estamos abaixo dos demais estados brasileiros. Nem o custeio está sendo repassado. Por isso que a saúde está sucateada. Decretaram a calamidade por vários meses e não aconteceu nada. Pelo contrário, está pior. Eu não tenho medo de errar até porque conversei com muitos médicos e as cirurgias ortopédicas não estão acontecendo no Rio Grande do Norte, está nascendo aí uma geração de sequelados. A pessoa sofre um acidente de trânsito e fica semanas esperando o atendimento.

OM: Mês que vem começa o processo eleitoral da Uern. A autonomia financeira estará na pauta. O senhor sendo governador atenderá a essa antiga reivindicação?

RF: Sou o autor da criação do Campus da Uern na cidade de Nova Cruz. Na época era o presidente da Assembleia e fiz o projeto de lei que levou a Uern para Nova Cruz, onde funciona muito bem. Aliás, quero fazer o registro que a Faculdade de Direito é a que mais aprova para a OAB entre as universidades públicas. Isso me orgulha bastante. Sou um admirador da Uern. Sou fã de carteirinha da Uern. Se um dia chegar a governar o Estado darei plena autonomia à Uern e serei um grande parceiro dela.

Bruno Barreto
Editor de Política

Fonte: O Mossoroense via Blog Programa Registrando 

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