quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Luiz Gonzaga é contado no cinema e cantado pelos amigos do RN


Luiz Gonzaga é originalmente de Exu, Pernambuco. Mas, por adoção, o cantor é de todo o Brasil. No Rio Grande do Norte, ele recebeu títulos de cidadão de Natal, Mossoró, Caraúbas, Pau dos Ferros e Caicó. Reconhecimento por ter encantado o público com a poesia tirada da sanfona. Foi no Nordeste onde encontrou os fieis e verdadeiros parceiros musicais.

Contudo, nem só de música viveu Gonzagão, mas também de conflitos amorosos e dos entendimentos e desentendimentos com o filho, Gonzaguinha. Todas as nuances do rei do baião, que colocou a alma nordestina em notas musicais, estão disponíveis em 120 minutos, no filme Gonzaga - De Pai para Filho. A estreia é nesta sexta-feira (26), em todo o país.

O longa-metragem tem direção e roteiro de Breno Silva, e conta a vida por trás das andanças de Gonzagão pelo Brasil. Em busca de um dia descansar feliz, guardando as recordações das terras, dos sertões e dos amigos que deixou.

É tudo costurado com relação de pai e filho entre Gonzagão e Gonzaguinha. Tenho certeza que essa história irá emocionar todo o Brasil”, afirmou Breno Silveira, diretor e roteirista do filme.

Mas a vida de Luiz Gonzaga também pode ser contada por bons e velhos amigos. O compositor potiguar Francisco Ellion, de 82 anos, narra como compôs “Ranchinho de Palha”, sucesso em parceria com Luiz Gonzaga. “Tive a felicidade de Luiz me procurar. Eu era presidente da Associação dos Músicos, ele já estava doente, mas não parava de criar. Mostrei pra ele a letra de Ranchinho de Paia, e ele me disse: - Chico, vou colocar um tempero nessa música. E assim fez”, lembrou Francisco Ellion, que em seguinda cantou um trecho para o G1.

“Mas pouca gente é feliz como nós
Um canta pro outro
E do vento escutamos a voz”

Ellion disse ainda que o amigo era muito cativante e rico em melodia. “Aqui no RN ele foi ovacionado. Ele colocou a minha letra no ritmo popular, chamado for all, em inglês, e na nossa língua,  para todos. Hoje, depois de Gonzaga, sofremos com a  pobreza musical”, concluiu.

Outro grande amigo de Gonzagão é Carlos André, cujo padrinho de casamento foi o Rei do Baião. Além da relação de amizade, foi Carlos que entre 1974 e 1983 se esforçou para reascender a carreira do Velho Lua.

Fazia sete anos que ele não conseguia ter uma boa venda de seus discos. Isto porque os produtores mudaram a característica dele, gravando músicas com arranjos que nada tinham a ver com o Rei do Baião. O resultado foi a grande queda nas vendas. Logo ele, que sempre foi um dos maiores vendedores da então gravadora RCA. Gonzação se viu na eminencia de ser dispensado do Cast (elenco). Foi quando fiz um trato com a Presidência da Gravadora, que me confiou a produção do Luiz Gonzaga. Meu objetivo era trazê-lo de volta ao lugar de grande vendedor de discos. E consegui. Produzi o LP 'Danado de Bom'. O sucesso foi tão grande que em 60 dias já era disco de ouro e platina” se orgulhou Carlos André.

Carlos André contou ainda que Luiz Gonzaga não tinha um gênio fácil. “Eu saí de Mossoró, onde nasci, para tentar a vida no Rio de Janeiro. Migração impulsionada pelo meu amigo Jackson do Pandeiro. E quando comecei, me espelhava no Gonzagão. Certa vez, gravei um LP sem avisá-lo. Depois do show, ao invés de me dar os parabéns, ou algo do tipo, ele me deu uma grande bronca e ficou muitos anos sem falar comigo. Para ele, eu era o seu sucessor, e para gravar um disco, precisava do consentimento dele. Anos mais tarde, quando consegui um grande sucesso, com a gravação de 'Se meu amor não chegar', ele me parabenizou e voltamos a grande amizade”, se emocionou Carlos.

O produtor e cantor deu uma palhinha do principal sucesso do LP "Danado de Bom", a canção de mesmo nome.

"Tá é danado de bom
Tá danado de bom meu compade
Tá é danado de bom
Forrozinho bonitinho,
Gostosinho, safadinho,
Danado de bom"

Para encerrar, Carlos André fez questão de relembrar o sucesso que o fez voltar a amizade com o Rei do Baião.

"Eu hoje quebro esta mesa
se meu amor não chegar
Também não pago a despesa
Nem saio desse lugar"

E brincou, ô época boa, que saudade de Luizão.

Fonte: G1

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