quinta-feira, 7 de junho de 2012

UFRN - E A Greve Nacional 2

Nota do Professor Gilmar, sobre a luta e a direçãoda ADURN.
O aparelhamento partidário do estado nas universidades públicas brasileiras através dos “antigos intelectuais de esquerda, arrependidos” avança rumo a um conservadorismo que atenta contra as liberdades públicas constitucionais dos trabalhadores desde o direito de greve até a liberdade de expressão!

Quando entrei na UFRN em 1989, naquele ano de greve nacional das IFES, logo de pronto me identifiquei com os professores ligados a esquerda, que então eram tidos como os intelectuais “radicais”. Em uma universidade que estava enraizada de todos os ranços do autoritarismo, perseguições e violência do estado civil-militar, eles eram, então, os arautos das mudanças, lutávamos todos, e sonhávamos pelo legítimo direito de greve e uma universidade pública e democrática, com qualidade e acessível aos trabalhadores.

Passados pouco mais de duas décadas, pasmem!!! Reconheci muitos desses mesmos intelectuais “radicais” na assembléia da ADURN de hoje, com uma diferença fundamental, agora embebidos pelo ópio do poder e pelo envolvimento no aparato estatal da universidade, alguns deles, exercendo um cargo temporário por meio de uma chancela democrática dada pelos próprios pares. Ainda havia aqueles que tinham receio de sacrificar seus projetos pessoais e profissionais na Academia. Mesmo, os recém chegados temiam minar projetos futuros de fazer parte da cúpula mandatária; por tudo isso e algo mais, sacrificaram seus princípios políticos e éticos em função de projetos institucionais ou pessoais, deixando a imensa maioria de trabalhadores dessa IFES, a ver navios na possibilidade de poder lutar pelos seus direitos fundamentais de salário e condições de trabalho satisfatór ios.

Mesmo que os outros colegas trabalhadores das IFES venham a conquistar estes direitos, por meio da luta dos sindicatos nacionais, ANDES, e PROIFES, inclusive; ainda assim, nossa geração foi tolhida do direito de apoiá-los, num momento que exigia apenas união política, ponderação sobre o desprezo patente do governo com nossa categoria, e mesmo, a justiça salarial. Como nossos intelectuais do sindicalismo de resultados devem dizer: eles que façam por nós, esperamos, e colhamos os frutos; no entanto, eles desconsideram essa exploração insidiosa, a apropriação do trabalho alheio de outros. Como dizem os políticos de má índole, que os “ditos” homens de bem criticam: às favas com essa tal de ética política.

Os intelectuais de esquerda arrependidos agora chamam o legítimo direito greve, conquistado por séculos, muitas vezes com a vida de muitos trabalhadores, e institucionalizado a duras penas na Constituição Federal de 1988, com uma ação “ineficaz”, a mesma posição que outrora eles afirmavam que possuíam os “demônios” neoliberais. Na década de 1980 e 90 os estudantes eram companheiros aliados contra os neoliberais conservadores, hoje são radicais, baderneiros, desordeiros.....

Sem medo de errar o lado no campo de luta prefiro aquelas que primam pelos trabalhadores e por uma universidade pública com ética política, que garanta os direitos legítimos a um salário que remunere com justiça o trabalho desenvolvido e uma sociedade plural e democrática. Para os jovens alunos e professores da UFRN, aprendam que na sociedade capitalista misto de neo-conservadora e neo-socialista pelega em que vivemos, os nossos “heróis” políticos são na maioria das vezes fugazes, não tenham ilusões, fiquem atentos aos camaleões ideológicos! Nunca percam sua identidade na luta por uma UNIVERSIDADE PÚBLICA, GRATUITA E DE QUALIDADE.

GREVE E LIBERDADE DE EXPRESSÃO SÃO DIREITOS

INALIENÁVEIS DOS TRABALHADORES!

Natal, 07 de junho de 2012

Prof. Gilmar Guedes (CE/UFRN)

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