sexta-feira, 25 de julho de 2014

APÓS 16 HORAS DE VELÓRIO E DESFILE EM CARRO ABERTO, ARIANO SUASSUNA É SEPULTADO




Após 16 horas de velório, o corpo do escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna foi enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, no Grande Recife, nesta quinta-feira (24). O sepultamento foi precedido pela leitura de dois poemas, a pedido da viúva, Zélia de Andrade Lima. Um dos netos do casal, João Suassuna, recitou "Acahuan", que Ariano escreveu em homenagem a seu pai, e "A mulher e o reino", feito para a esposa. Todos os parentes acompanharam a leitura muito emocionados, e Zélia foi amparada por eles.

Durante a cerimônia, que durou aproximadamente uma hora, muitos fãs e amigos também prestaram suas últimas homenagens ao escritor. A neta Germana Suassuna, psicóloga, fez questão de destacar a importância da população no momento de despedida de seu avô. "Dentro da corda [que separava os familiares e amigos dos admiradores], está o Brasil oficial. Mas meu avô gostava mesmo era do Brasil real, que está fora da corda", disse, seguida de muitos aplausos.

O caixão chegou ao cemitério pouco antes das 17h, após ter desfilado em carro aberto, em um veículo do Corpo de Bombeiros, fazendo o percurso desde o Palácio do Campo das Princesas, local do velório. Ainda no palácio, no centro do Recife, os netos de Ariano carregaram o caixão até o carro, ao mesmo tempo em que os presentes aplaudiam e cantavam -- o frevo "Madeira que cupim não rói" e o grito de guerra do Sport, time do coração do autor. Um dos filhos de Ariano, o artista plástico Dantas Suassuna, acompanhou o caixão do pai durante o trajeto. A cerimônia de sepultamento contou ainda com salva de tiros, a execução instrumental da Ave Maria e da Oração de São Francisco e uma chuva de pétalas.

No percurso de 40 minutos até o cemitério, muitas pessoas foram às ruas do Recife e Olinda para acompanhar a passagem do corpo de Ariano Suassuna. A população aplaudia quando o carro do Corpo de Bombeiros passava e entoava o nome do escritor paraibano. No Cemitério Morada da Paz, familiares e amigos também seguiram de perto o caixão de Suassuna até o local onde foi enterrado.

Desde a noite de quarta-feira (23), até a tarde desta quinta, foi grande o número de familiares, amigos e fãs que passaram pelo Palácio das Princesas, durante o velório. O caixão esteve o tempo todo coberto por bandeiras do Sport, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), de Pernambuco e do Brasil.

A presidente da República, Dilma Rousseff, passou cerca de 40 minutos no local, onde conversou com familiares do escritor e com políticos, como o governador de Pernambuco, João Lyra Neto, e o candidato a presidente pelo PSB, Eduardo Campos. Dilma deixou o local sem fazer declaração pública. Também estiveram presentes o ministro dos Esportes, Aldo Rebelo; os governadores Ricardo Coutinho (Paraíba) e Jaques Wagner (Bahia); o senador Humberto Costa e o prefeito doRecife, Geraldo Julio.

A missa de corpo presente foi celebrada pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, e acompanhada com muita emoção por parentes, amigos e admiradores de Ariano Suassuna, no final da manhã . A celebração durou cerca de uma hora e Saburido destacou que Ariano, reconhecidamente espirituoso e assumido devoto de Nossa Senhora, era conhecido por ser um homem de fé. Uma mensagem preparada pela Arquidiocese especialmente para a ocasião foi lida. Em forma de poesia, um excerto dizia: "A morte nunca é sina. É vida com outro nome". O texto impresso foi entregue pelo arcebispo nas mãos da viúva, Zélia.

Fonte: G1 via Blog Melancias Apodi

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